Atrasos de pagamentos provocam aumento de desemprego

16 MAIO 2014

A 10.ª edição do EPI – European Payment Index, da Intrum Justitia, revela que 55% das 10.000 empresas inquiridas afirma que estão a sofrer as consequências dos atrasos de pagamento e 36% acredita que não tem possibilidade de crescimento e que a sua sobrevivência está a ser ameaçada.

Mesmo na Alemanha, a maior economia da Europa, as empresas estão a sofrer com a falta de liquidez. Cerca de 35% das empresas alemãs afirma que os atrasos nos pagamentos têm um forte impacto no número de colaboradores. O cenário é idêntico noutros países europeus com cerca de 30% das empresas no Reino Unido, 28% das empresas em Espanha e 25% de empresas em França a justificarem a dispensa de trabalhadores devido aos pagamentos em atraso.

O estudo conclui que há cerca de 360 mil milhões de euros de incobráveis em toda a Europa, apesar de a duração média dos pagamentos ter diminuído nos consumidores, nas empresas e no sector público, comparativamente com o ano anterior. Assim, as consequências do incumprimento representam uma ameaça real para a competitividade e para o bem-estar social na Europa. “Se as empresas europeias tivessem disponíveis os 360 mil milhões de euros podiam fazer novos investimentos e contratar mais colaboradores. Mas, ao contrário disso, há cada vez mais empresas a cortar gastos para evitar a falência”, afirma Luis Salvaterra, diretor geral da Intrum Justitia Portugal. “Os atrasos ou não pagamentos continuam diariamente a inviabilizar negócios e aceleraram uma reação em cadeia negativa para a economia e os mais atingidos são as PME's que representam uma fatia significativa do crescimento económico. Os atrasos exigem um esforço de vendas extra para compensar essas perdas", defende o mesmo responsável.

Apesar dos rumores sobre o fim da recessão, 72% dos entrevistados afirma não ter visto mudanças positivas nos últimos meses, enquanto 46% prevê que os riscos de atraso ou não pagamento aumentem.

Os resultados do estudo revelam que as empresas têm dado particular atenção à gestão de crédito, colocando-a na lista de prioridades, como meio de combater a crise que ensombrou a maioria dos negócios. No entanto, 56% das empresas europeias espera, em média, 80 dias antes de recorrer a uma empresa especializada na recuperação de crédito, de acordo com o estudo. Em Portugal, 43% dos inquiridos espera 125 dias antes de solicitar este tipo de serviço.

De acordo com o estudo, o Índice de Risco para Portugal situa-se nos 192, o que pressupõe uma intervenção urgente e a tomada de medidas para baixar o perfil de risco. Em Portugal, os créditos mais antigos continuam a ter uma percentagem muito significativa com 27% das faturas a serem pagas a mais de 90 dias, o que vai dificultar o seu pagamento na íntegra, especialmente no atual estado da economia nacional.

Os prazos de pagamento no sector público e nas empresas melhorou, comparativamente com o ano anterior, no entanto, continuam muito longos. No sector público, o atraso médio é de 69 dias e nas empresas de 33 dias. Nos particulares, o prazo de pagamento estabilizou, sendo o atraso médio de pagamento de 30 dias.

A média de incobráveis na Europa aumentou de 3% para 3,1% e em Portugal os incobráveis aumentaram ligeiramente, de 3,9% para 4%. Os incobráveis são mais elevados na Europa meridional e de Leste, enquanto os países do norte, como a Noruega, Finlândia e Suíça, têm uma menor percentagem de incobráveis.

No que respeita às consequências dos atrasos de pagamentos, das empresas nacionais inquiridas, 70% aponta a perda de rendimentos como uma consequência dos atrasos de pagamento, 84% receia pela liquidez da empresa e 66% afirma que os atrasos de pagamento impediram o crescimento da sua empresa. O mesmo relatório indica ainda que 45% não tem a intenção de contratar novos funcionários.

De acordo com Luis Salvaterra, “estes são números muito preocupantes quando comparados com outros países europeus e, para agravar a situação, verificamos que 63% dos entrevistados investiu menos em inovação e 64% não registou crescimento. A redução generalizada das vendas e da liquidez das empresas e a forte restrição no acesso ao crédito por parte dos bancos exercem um enorme impacto na recessão global em Portugal”.

No que respeita às principais causas do atraso no pagamento dos seus clientes, 99% respondeu que os seus clientes tinham dificuldades financeiras.

Relativamente à diretiva europeia dos atrasos de pagamento é conhecida apenas por 65% dos entrevistados, sendo que 76% considera que a mesma não teve qualquer impacto.