Indústria de Whisky de Malte pode sofrer com a independência da Escócia

17 SETEMBRO 2014
As exportações de Whisky de Malte foram valorizadas em 5,4 biliões de euros em 2013, sendo responsáveis por 80% do total de exportações de bebidas espirituosas do Reino Unido. Desta forma, a indústria pode ser impactada se a Escócia conseguir a independência.

No último relatório, “Going Scot-free”, o banco holandês Rabobank reporta que apesar de ser argumentado que a independência tem o potencial para aumentar as vendas de Whisky de Malte, acredita-se que “no geral o impacto a curto termo na indústria será negativo”.

O banco destacou cinco áreas-chave que serão impactadas, uma das quais seria a capacidade da indústria de ter acesso aos mercados de exportação da UE, que atualmente são responsáveis por 37% das vendas de Whisky de Malte, como resultado da perda temporária de adesão à EU e dos acordos de comércio livre com estados membros.

Da Escócia espera-se uma recandidatura à EU, mas a adesão terá que esperar até, pelo menos, 2018, deixando o sector de Whisky de Malte em risco de ver: tarifas de importação mais altas nos seus principais mercados durante dois anos, competição de outras categorias de bebidas espirituosas e a sua competitividade em mercados-chave da UE.

"O governo escocês também teria uma tarefa montanhosa na aquisição de novos acordos comerciais com mercados de exportação fora da UE após a independência", alertou o banco.

Foi sugerido que a Escócia poderia aderir ao Espaço Económico Europeu (EEE) e à Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), dando-lhe pleno acesso ao mercado da UE, sem a adesão necessária, no entanto o abandono de qualquer influência na UE pode revelar-se desconfortável para um país recém-independente.

A perda da libra esterlina também aumentaria a incerteza com a alteração na moeda suscetível de conduzir a um "aumento do risco cambial para as exportações Whisky de Malte", de acordo com o banco.

Com a independência, o Rabobank alertou que as taxas de juros provavelmente subirão o que pode criar um "sério desafio" dentro de uma indústria construída em inventários que ficam armazenados durante décadas, com as empresas menores a serem as mais atingidas.

Apesar da possível redução do imposto em 3% em relação à taxa de imposto do Reino Unido, o Rabobank alertou que o recém-criado governo escocês pode ser "forçado a introduzir uma maior tributação para a indústria de Whisky de Malte", um dos seus sectores com maior lucro, para "tapar parte da sua lacuna fiscal" nos anos após a independência.