APED questiona eficácia ambiental da taxa sobre sacos de plástico

20 OUTUBRO 2014
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) teme que a introdução de pagamento tenha essencialmente a natureza de um imposto e sendo duvidosa a sua eficácia ambiental.

A APED acresce que muitos associados têm já introduzido o pagamento simbólico dos sacos de plástico de forma a desincentivar uma utilização excessiva, bem como disponibilizam já hoje várias soluções mais sustentáveis para o transporte das compras.

Quem mais sensibilizou o consumidor foram os retalhistas, desempenhando um papel fundamental nesta questão e que levou inclusive a que, nos últimos anos, tenha havido já uma alteração significativa de comportamento dos consumidores, que todos podemos ver nas lojas”, afirma Ana Isabel Trigo Morais, diretora-geral da APED.

A APED partilha as preocupações ambientais que o Governo tem nesta matéria mas considera que existiriam medidas mais eficazes para promover a redução de utilização dos saco de plástico, como, por exemplo, a definição de metas a atingir.

Tememos que esta taxa tenha essencialmente a natureza de um imposto e se desvie do seu principal objetivo: sensibilizar os consumidores, consistindo apenas numa forma de arrecadar receita”, afirma.

A APED considera ainda que esta opção da fiscalidade verde é um desincentivo ao investimento que as empresas vinham fazendo nas campanhas de informação ao consumidor. Por outro lado, o pagamento dos sacos de plástico será efetuado nos pontos de venda o que suscita reservas relativamente à eficácia do imposto agora criado, pois poderá desviar o consumidor para opções menos amigas do ambiente.

A nossa expectativa é que durante a discussão do diploma na Assembleia da República se introduza clareza no diploma, que neste momento não conhecemos em detalhe, bem como no processo de cobrança desta taxa a suportar pelos portugueses quando vão a uma loja e têm de levar as suas compras para casa”, sustenta Ana Isabel Trigo Morais.