Portugueses os únicos europeus otimistas na recuperação económica

20 OUTUBRO 2014
Segundo estudo GfK Consumer Climate Europe, no terceiro trimestre do ano, os consumidores portugueses demonstraram ser os únicos europeus confiantes na recuperação económica.

Na sequência de um período inicial de forte crescimento no final do ano passado, nos últimos três meses, os consumidores portugueses estavam confiantes de que a recuperação económica iria finalmente avançar. Em conformidade com isso, o indicador das expectativas económicas apresentou 5,1 pontos em setembro. Esta é a segunda vez que um valor positivo foi registado desde julho e é o valor mais elevado desde março de 2000.

Como resultado destas perspetivas económicas mais favoráveis, as expectativas de rendimentos também continuaram a melhorar. O indicador registou -10,5 pontos em setembro. Em julho tinha atingido -9,9 pontos, o valor mais elevado desde abril de 2010.
Dado que o desemprego continua extremamente elevado e que os rendimentos ainda não registavam melhorias, os consumidores portugueses não estavam dispostos, ou não eram capazes, de comprar mais do que o absolutamente necessário numa base do dia-a-dia. Situando-se em 29,0 pontos, a disposição para comprar estava a um nível extremamente baixo.

Já na restante Europa, os consumidores não mostraram estar tão otimistas quanto ao futuro, como estavam em junho. Nos últimos três meses, as expectativas económicas diminuíram em quase todos os países da Europa, com baixas importantes registadas em algumas áreas. A disposição para comprar parece ter chegado ao fim em muitos países.

O desenvolvimento económico em quase todos os países da União Europeia (UE) tem sido significativamente inferior àquele previsto na Primavera pelas instituições económicas e pelos governos. Em alguns países, o desempenho económico começou de facto a cair novamente, o que é atribuível a uma variedade de razões muito diferentes. O índice do clima de consumo da GfK para os 28 países da UE encontra-se atualmente nos 4,2 pontos em comparação com os 9,1 pontos registados no trimestre anterior.

A Alemanha deixou de ser o motor do crescimento económico na Europa, com a sua própria economia a registar um ligeiro declínio de 0,2% no segundo trimestre. Segundo os especialistas, prevê-se novamente um crescimento no terceiro trimestre, contudo fraco. Embora os alemães continuem a desfrutar das suas compras, o sector da economia virado para a exportação tem sido constrangido pela fraca procura externa, o que está a afetar os países da UE, bem como as nações emergentes tais como o Brasil, a China e a Rússia. As economias destas regiões têm visto nos últimos anos um crescimento muito forte em algumas áreas. Todavia, as taxas de crescimento têm vindo entretanto a abrandar e encontram-se na faixa de apenas um dígito. Os consumidores recuperaram em grande medida a sua necessidade de adquirir coisas materiais e estão a consumir menos do que no passado.

Os principais conflitos que têm vindo recentemente a dominar o palco mundial também devem ser levados em conta. Estes incluem as tensões e as sanções económicas entre a Rússia e a UE, a Guerra no Médio Oriente, a ameaça representada pelo Estado Islâmico e a transição política na Turquia. Estes eventos estão todos a contribuir para um aumento da incerteza entre os consumidores. As empresas e os bancos têm estado, por conseguinte, a abster-se dos investimentos e de conceder empréstimos, o que por sua vez tem um impacto direto no desempenho económico dos países individuais.

O baixo nível de inflação também é um fator. Em setembro, a inflação registava 0,3% a nível da Europa. Este é o valor mais baixo em quase cinco anos. Vários países já estão a lutar contra a deflação, o que significa que os preços de consumo estão a baixar.

Os consumidores europeus partilham da opinião das empresas no sentido de que a economia já não está tão estável como no princípio do Verão. Em junho, o indicador do Clima de Consumo GfK para todos os 28 países da UE era de 9,1 pontos, que é o seu valor mais elevado desde abril de 2008, tendo recuado desde então, quase cinco pontos.