Pastel de nata a caminho da internacionalização

30 OUTUBRO 2014
Uma das receitas de Álvaro Santos Pereira, antigo ministro da Economia, para o combate ao défice e dívida externos era a exportação do pastel de nata. Mas, sujeitos a ultracongelação e reaquecimento em micro-ondas, os pastéis de nata adquirem uma textura diferente da dos acabados de sair do forno e a massa folhada deixa de ser crocante. O mercado já tem disponíveis pastéis de nata ultracongelados. No entanto, estes são vendidos como produto cru ou semi-cru, necessitando ainda de confeção demorada em forno convencional e a temperaturas elevadas.

O problema foi agora resolvido pelo Departamento de Química (DQ) da Universidade de Aveiro, que desenvolveu um pastel de nata que pode ser ultracongelado depois de pronto e ser consumido em qualquer ponto do mundo, como se tivesse sido acabado de fazer, após um minuto no micro-ondas. Mais, os investigadores da UA desenvolveram-no com menos calorias do que o pastel de nata tradicional.

Os pastéis de nata confecionados que existem atualmente no mercado, se sujeitos a ultracongelação e reaquecimento em forno de micro-ondas, adquirem uma textura diferente da do pastel de nata tradicional e com uma massa folhada não crocante”, aponta Manuel António Coimbra, investigador do DQ. O coordenador da equipa - composta por Rita Bastos e Elisabete Coelho - desvenda que este foi desenvolvido com base na incorporação de um ingrediente alimentar à base de polissacarídeos, que foi adicionado à massa folhada e ao creme de nata.

Este ingrediente permitiu obter um produto que pode ser congelado e reaquecido em forno de micro-ondas, preservando as características do pastel de nata tradicional”, diz Manuel António Coimbra. Nutricionalmente, adianta o investigador, “a adição dos polissacarídeos na formulação levou a um aumento do teor de fibra dietética e a uma diminuição do teor de gordura, obtendo-se um pastel de nata com apenas 184 calorias, menos do que as do tradicional”.

O pastel de nata prepara-se para ser vendido como produto ultracongelado e totalmente confecionado, bastando um minuto de aquecimento num forno de micro-ondas para ser saboreado. “Com este novo produto, o consumidor pode desfrutar de todo o sabor e qualidade de um pastel de nata tradicional, a qualquer hora do dia no conforto da sua casa”, garante Manuel António Coimbra. Mais, com a nova receita, “será possível exportar e alargar mercados para este produto tipicamente português com preservação das suas características sui generis”.

A receita, sublinha Manuel António Coimbra, foi desenvolvida por solicitação da Mealfood “em que o saber fazer do mestre pasteleiro Francisco Santos daquela empresa se associou à ciência da Universidade”. Após seis meses de trabalho, o pastel de nata já se encontra com pedido de patente efetuado e os consumidores poderão encontrá-los brevemente no mercado.