Retalho europeu penalizado pela deflação em 2015

18 NOVEMBRO 2014
As estimativas de lucro para 2015 das empresas retalhistas com mais de 1.000 milhões de capitalização caiu 14,16%, segundo um estudo do Citi. No início de janeiro, esperava-se que, no ano que vem, a soma dos lucros ultrapassasse os 24.200 milhões de euros, valor que, agora, foi reduzido para os 20.800 milhões de euros.

Segundo o Citi, “o último ano e meio caracterizou-se por uma rápida queda da inflação dos produtos alimentares na maior parte dos países europeus. O preço dos alimentos reduziu-se aproximadamente quatro a seis pontos em pouco mais de 12 meses e, nos últimos três meses, muitos países entraram no território da deflação, situação que não era vista desde os finais de 2009 e inícios de 2010”.

Na base deste fenómeno está a descida dos preços das matérias-primas no segundo semestre de 2013. Os preços das frutas e verduras caiu fortemente face ao ano passado e, em alguns países, está-se a atingir uma deflação de dois dígitos em algumas categorias de frescos. Face ao crescimento das vendas e quota de mercado das empresas posicionadas no vetor preço em muitos mercados, com a consequente pressão sobre as margens, as empresas alimentares estão a baixar os preços, numa estratégia de defesa dos volumes de vendas.

Perante este cenário, os retalhistas europeus irão ver os seus ganhos encolher. As maiores quedas serão protagonizadas pelas britânicas Tesco e Sainsbury que, tanto nas previsões deste ano, como nas de 2015, terão descidas de dois dígitos. No caso da Tesco, as previsões apontam para uma queda de mais de 50% em 2014 e 2015, numa consequência dos erros de contabilidade que levaram a empresa a sobrevalorizar os seus lucros.