Indesit Company reestrutura suas operações em Itália

19 JUNHO 2013

A Indesit Company anunciou um plano de salvaguarda e racionalização das suas operações em Itália que, segundo a Appliance Magazine, deverá afetar 1.400 dos seus 4.300 colaboradores no país.

O plano, que já foi apresentado aos sindicatos italianos, passa pela reestruturação dos três centros industriais do grupo em Itália e contempla um investimento de 70 milhões de euros em inovação de produto e dos processos. Contudo, o que está a preocupar os sindicatos é o facto de que também prevê a deslocalização da produção dos produtos de gama mais baixa para outros países com custos de trabalho mais reduzidos.

A Indesit Company reitera, porém, que Itália é e vai manter-se como o centro estratégico do grupo, com o plano a prever ações para melhorar e consolidar as operações de formação e de investigação e desenvolvimento italianas. No âmbito do processo de reestruturação, que deverá demorar até 2016, a unidade de Fabriano será o centro de inovação para fornos de encastre, ao passo que a de Comunanza será o centro de inovação para máquinas de lavar a roupa de carga frontal e a de Caserta irá focar-se em frigoríficos de encastre e placas a gás. Fabriano será a única unidade de produção de fornos do grupo e absorverá a produção dos modelos atualmente fabricados na Polónia. O investimento de 70 milhões de euros planeado para Itália irá incidir na pesquisa de inovações relacionadas com a economia de água e a eficiência energética.

Por seu turno, as operações de produção que se considere não serem mais sustentáveis em Itália, nomeadamente os produtos exportados para os países da Europa de Leste, serão deslocalizadas para outras geografias com custos produtivos mais baixos.

A reorganização das operações da Indesit Company em Itália, que atualmente empregam 4.300 pessoas, deverá afetar mais de 1.400 colaboradores, 1.250 dos quais nas unidades de produção. O grupo já está em conversações com os sindicatos mas assegura que esta reorganização era mesmo necessária dado o competitivo cenário europeu, onde o mercado continua bem abaixo dos volumes registados em 2007. Na Europa Ocidental, os volumes caíram 10% e em Itália cerca de 25%. Adicionalmente, os fabricantes de países com custos de produção mais baixos continuam a expandir as suas agressivas estratégias de preço, fazendo cair os preços e as margens dos produtos.

Atualmente, a China é a grande responsável pelo contínuo crescimento na produção mundial de grandes eletrodomésticos. De facto, não considerando a Ásia-Pacífico nesta contabilidade, a outra região que está, efetivamente, a desenvolver este mercado é a América Latina, desafiando a Europa Ocidental pelo título de segundo maior produtor mundial de eletrodomésticos. Desde 2007 que aquela região tem vindo a crescer consistentemente e espera-se que, dentro de quatro anos, tenha mesmo ultrapassado o Velho Continente. O que tem muito que ver com o facto de Itália, que já foi o terceiro maior produtor mundial, estar a perder a sua coluna vertebral industrial, posicionando-se, em 2012, apenas como o nono maior fabricante.

Estas conclusões foram retiradas de um estudo da consultora Euromonitor Internacional, publicado na mais recente edição impressa da Revismarket, que dá conta da queda de Itália como bastião da produção mundial de eletrodomésticos. Antes da recessão, este sector de produção era o segundo maior empregador de Itália, logo a seguir à indústria automóvel, mas desde 2007 e até ao final do ano passado que tem caído 3,6 milhões de unidades a cada ano, registando uma perda total de 18 milhões de unidades. Parte desta produção tem sido absorvida pelos mercados europeus vizinhos, onde os custos de fabrico são bem mais competitivos. A grande questão que agora se coloca, no entender da consultora, será se as atividades de investigação e desenvolvimento se manterão ainda em território italiano ou se, também estas, serão desviadas para outros mercados.
Leia mais sobre este tema no avanço do artigo que agora publicamos online e na sua totalidade na edição n.º 49 da Revismarket, brevemente a chegar ao leitor.

Com a cortesia da Revismarket.