Códigos ADN para marcas combatem contrafação

13 JANEIRO 2015
Newton Gomes e Francisco Coelho, biólogos da Universidade de Aveiro (UA), desenvolveram códigos de ADN para marcas para ajudar no combate à contrafação. Projetados no Laboratório de Estudos Moleculares e Ambientes Marinhos (LEMAM) da UA, os códigos podem ser aplicados em qualquer superfície e inseridos em qualquer produto, desde uma obra de arte, a uma peça de roupa ou a um telemóvel, e constituem etiquetas moleculares únicas, de fácil e barata produção e, ao contrário de todos os métodos utilizados atualmente pelos mercados para identificar e autenticar produtos, impossíveis de falsificar.

A descoberta da UA permite que, caso a originalidade de qualquer produto seja posta em causa, e tendo este incorporado a tecnologia do LEMAM, basta recolher uma amostra do ADN da etiqueta com uma simples cotonete, enviar para o laboratório e esperar pelos resultados da autenticação. Parte do “segredo do negócio”, apontam os investigadores, está na dificuldade em ler as etiquetas moleculares sem a “chave” única de cada código. “Isto impossibilita a sua replicação e aplicação em produtos falsificados”, garantem os biólogos Newton Gomes e Francisco Coelho.

O aumento de produtos contrafeitos e falsificados nas cadeias de distribuição nunca como agora representou uma ameaça tão importante”, lembra o biólogo Newton Gomes. O investigador, e responsável pelo LEMAM, aponta que as perdas devido a contrafação e falsificação estão a tomar proporções alarmantes. “Estima-se que causem prejuízos na ordem dos 1.7 biliões de dólares em 2015”, antecipa. E não é só um maior número de produtos contrafeitos que está a penetrar as cadeias de distribuição, “é também uma cada vez maior perfeição nos produtos falsificados, existindo mesmo alguns casos em que nem o próprio fabricante consegue distinguir o produto que fabrica do produto falsificado”.

Para contrariar a tendência, os códigos de ADN da UA já estão patenteados e prontos a entrarem no mercado.