Deflação leva lucros da Jerónimo Martins caírem a dois dígitos

Jerónimo Martins

6 MARÇO 2015
Num ano marcado por uma "deflação alimentar sem precedentes", os lucros anuais consolidados da Jerónimo Martins caíram 21,1%, para 301,7 milhões de euros. O EBITDA gerado pelo grupo atingiu os 733 milhões de euros, numa redução de 5,6% em relação ao ano anterior, com a respetiva margem a fixar-se nos 5,8%, o que compara com os 6,6% em 2013.

O desempenho do ano reflete, ainda, o aumento dos custos relativos aos novos negócios, Hebe e Ara, que geraram um EBITDA negativo de 58 milhões de euros, mais 16 milhões de euros do que no ano anterior.

Em contrapartida, as vendas consolidadas aumentaram 7,2% para 12,7 mil milhões de euros. “Num ano marcado por níveis de deflação alimentar mais elevados do que o esperado, tanto na Polónia como em Portugal, o grupo aumentou as suas vendas em 851 milhões de euros, tendo registado uma forte geração de cash flow. O crescimento das vendas manteve-se como a nossa primeira grande prioridade e todos os nossos principais negócios aumentaram as vendas “like-for-like” em volume, reforçando as respetivas posições de mercado”, comenta Pedro Soares dos Santos, presidente do conselho de administração e administrador-delegado da Jerónimo Martins SGPS.

A Biedronka, que representa 66,5% do total, foi responsável por 85,7% do aumento das vendas e permaneceu como o principal motor de crescimento da Jerónimo Martins. O volume de negócios cresceu 9,1% em moeda local (9,5% em euros), para os 8,4 mil milhões de euros. Numa base comparável, o crescimento foi de 1% em volume, embora não tenha sido suficiente para que em valor tenha sido positivo (-0,8%), considerando uma deflação no cabaz de 1,8%.

Em Portugal, a deflação alimentar acelerou rapidamente nos segundo e terceiro trimestres do ano, dando sinais de abrandamento no quarto trimestre. Em termos anuais, a deflação alimentar foi de 1,3%. Perante este cenário, a sensibilidade do consumidor ao preço manteve-se alta e o Pingo Doce continuou a investir na sua estratégia promocional. Como resultado, as vendas cresceram 1,7%, tendo-se verificado um desempenho numa base comparável de 1,2% (excluindo combustível). A quota de mercado do Pingo Doce aumentou 0,6 pontos percentuais para 18,2%. “Na Biedronka estamos comprometidos com a recuperação do momentum de crescimento de vendas “like-for-like” em valor ao longo do ano 2015 e em preparar a companhia para cumprir as suas metas de médio prazo. Em Portugal, o Pingo Doce teve um desempenho muito positivo e irá continuar a criar oportunidades para o consumidor, de modo a crescer acima do mercado, também em 2015”, destaca Pedro Soares dos Santos.

Ainda em Portugal, as vendas do Recheio, em volume, cresceram 1,5%, mas em valor cederam 0,7%, devido, principalmente, à deflação alimentar. No que se refere aos novos negócios, a Hebe alcançou vendas de 87 milhões de euros e a Ara atingiu os 66 milhões de euros. “À medida que a Ara investe na sua segunda região – na Costa do Caribe – reforçamos a nossa confiança na operação colombiana como pilar chave de crescimento futuro do grupo. Considero o desempenho de 2014 robusto, embora o nosso único foco seja agora o ano de 2015, do qual já passaram dois meses.”

O crescimento das vendas continuará, então, a ser a principal prioridade da Jerónimo Martins, com as suas insígnias a manterem-se focadas em crescer acima dos seus respetivos mercados. Uma estratégia onde se enquadram investimentos, com destaque para a Ara que irá testar o seu modelo de negócio e a sua abordagem comercial numa segunda região. Em 2015, o grupo estima aumentar o seu programa de investimento para entre 500 e 550 milhões de euros, com a Biedronka a absorver cerca de 60% desse valor.

No ano passado, o grupo investiu um total de 470 milhões de euros, tendo a expansão continuado a absorver a maior parte deste investimento ao atingir um total de 291 milhões de euros. A Biedronka permaneceu como a primeira prioridade, com a abertura de 211 novas lojas durante o ano, das quais 96 em grandes centros urbanos. O Pingo Doce abriu cinco novas lojas, das quais quatro em regime de gestão de terceiros. A Ara inaugurou 50 novas localizações, terminando 2014 com um total de 86 lojas, todas na região do Eixo Cafeteiro, e a Hebe abriu 18 lojas.