Ministra angolana vê "renitência" de importadores de bebidas portuguesas às quotas

Ministra angolana vê "renitência" de importadores de bebidas portuguesas às quotas

11 MARÇO 2015
A ministra do Comércio de Angola, Rosa Pacavira, considera que os importadores de bebidas portuguesas estão a mostrar alguma "renitência" face à intenção expressa do governo angolano em aplicar quotas de importação nos setores com excedentes de produção, como é exemplo o das bebidas.

Após terem-se verificado excedentes de produção no setor das bebidas, a ministra do Comércio de Angola considera que é chegado o momento de reduzir, consideravelmente, a entrada de produtos nesta área, em concreto águas e cervejas. "Há linhas mesmo de produção de cervejas que ainda não arrancaram e então pensamos que em 2015 e 2016 poderão arrancar, se reduzirmos as importações de bebidas em Angola e também estimular para que outros agentes económicos possam intervir no sector das bebidas", sublinhou no parlamento angolano no âmbito das discussões na especialidade da revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015.

Contudo, Rosa Pacavira ainda fez saber que importadores de Portugal têm mostrado alguma "renitência" neste processo. "Temos alguma renitência principalmente dos importadores de Portugal, que trazem Sagres, Super Bock e outras bebidas, que querem de facto continuar com grandes volumes de importação para Angola desse tipo de bebidas, mas temos estipuladas quotas de importação de bebidas, então vão sujeitar-se a estes mecanismos", frisou.

Recorde-se que a aplicação das quotas de importação ainda não se iniciou, já que se encontram a decorrer trabalhos sobre os mecanismos para a sua execução, que implica, entre outras medidas, o recenseamento de todos os agentes económicos. "Se querem importar devem estar inscritos no Ministério do Comércio, devem ter as suas contas auditadas e regulares, devem pagar as taxas devidas ao Estado e não devem ser devedores do Estado. Um outro requisito é terem infraestruturas no país para a sua atividade em marcha, o que não se verifica, a maior parte dos importadores são estrangeiros e alugam apenas", lamentou a ministra no mesmo âmbito.

No que à subida de preços verificada em Angola diz respeito, a titular da pasta do Comércio garantiu ainda que os preços estão normalizados após intervenção do governo local. "Muitos agentes económicos queriam aproveitar-se da situação e tiveram uma semana de uma subida vertiginosa de preços de produtos alimentares, mas rapidamente a nossa inspeção agiu em conformidade e hoje os preços estão regulamentados", concluiu.