Contributo das empresas de média dimensão para a economia nacional caiu

Economia

23 MARÇO 2015
O mercado das empresas de média dimensão em Portugal caiu substancialmente entre 2008 e 2014 e, em consequência, o seu contributo e importância relativa para a economia nacional.

De acordo com o estudo “Impacto Económico Europeu – a contribuição das empresas de média dimensão para as economias da UE”, realizado pela Sage com o apoio do CEBR – Centro de Pesquisa Económica e Empresarial, o este mercado registou um declínio do seu valor acrescentado bruto (VAB) desde 2008, atingindo o seu valor mais baixo em 2012-2013, equivalente a 14,4 mil milhões de euros.

No entanto, os primeiros sinais de recuperação surgiram já durante 2014 e essa tendência deverá manter-se até 2019, ano em que o VAB das médias empresas portuguesas recuperará para valores de 2009. O estudo refere que em 2014 se registou um aumento marginal deste indicador para 14,5 mil milhões de euros e em 2019, último ano em análise, este valor ascenderá a 16,7 mil milhões de euros.

Esta tendência é igualmente registada ao nível do emprego. Em 2014, as cerca de 4.500 empresas portuguesas de média dimensão empregavam aproximadamente 467 mil pessoas, valor que deverá registar um crescimento gradual até 2019, ano em que serão 491 mil as pessoas empregadas pelas empresas desta dimensão existentes na altura.

O estudo engloba 12 grandes economias europeias e reúne, ainda, um inquérito a 814 decisores empresariais desses países. No conjunto das economias analisadas, o VAB destas empresas foi de mil milhões de euros em 2014, o que representa um valor entre os 15% e os 23% do seu contributo, nos respetivos países, para a economia empresarial. No caso português, o VAB gerado por estas empresas representou cerca de 22% da riqueza gerada pelo tecido empresarial nacional em 2014, um dos contributos mais elevados entre os países analisados.

No espaço económico considerado pelo estudo existiam, em 2014, 180.800 empresas de dimensão média, sendo a Alemanha o país com maior representatividade, com 57.400 empresas, e a Eslováquia o país com menor número, com 2.150. Reflexo dos tempos difíceis, o número de empresas em Portugal caiu e em 2014 havia menos 174 mil empresas do que em 2008. As empresas de média dimensão passaram, no mesmo período, de 5.900 para as já referidas 4.500. A maioria destas empresas pertence aos sectores retalhista/grossista e de produção. Em 2014, as empresas destes sectores e dimensão somaram, no seu conjunto, 8,1 mil milhões de euros em VAB e 271 mil empregos.

A produtividade deste segmento em Portugal está acima da média nacional para todo o tecido empresarial português. Entre 2008 e 2014, os colaboradores destas empresas contribuíram, em média, com 31.500 euros em VAB por ano. Este valor está cerca de 90% acima da média das pequenas empresas e quase 37% acima da média nacional. Refira-se que o valor médio do contributo em VAB dos trabalhadores das grandes empresas era de 36.300 euros.

Ao nível das exportações, as empresas deste segmento inseridas no espaço económico analisado pelo estudo venderam ao exterior 634 mil milhões de euros durante 2012, o que representa cerca de 17% do total exportado nesse ano. As empresas portuguesas de média dimensão exportaram um pouco mais de 10 mil milhões de euros nesse ano, o que representa cerca de 31% do total exportado pelo tecido empresarial nacional. Os principais sectores exportadores nacionais foram o “vestuário”, “alimentação”, “químicos”, “produtos de couro” e “produtos de metal”.

O estudo refere que ano de 2015 apresenta-se, de acordo com os responsáveis portugueses inquiridos, com boas perspetivas. A componente financeira, até aqui um dos grandes condicionadores da evolução dos negócios, e o crescimento da procura serão os fatores com maior influência positiva nessa evolução, estimando-se que o seu impacto se reflita também nos anos seguintes.

Outro indicador analisado foi o da inovação. De acordo com o estudo, as empresas de média dimensão têm maior probabilidade de inovação que as restantes empresas. Portugal, Espanha e Itália, de acordo com a análise efetuada, têm uma percentagem muito mais alta de empresas com atividade inovadora no mercado empresarial do que na economia global, o que contribui para os mais elevados índices de produtividade destas empresas.

Contudo, o investimento em I&D em Portugal tem caído desde 2008. Em 2013 foram investidos 1,1 mil milhões de euros em I&D, o que contrasta com os 1,3 mil milhões registados em 2009, o valor mais elevado no período em análise, considerando todo o tecido empresarial português. As empresas de média dimensão investiram cerca de 250 milhões de euros, valor que também representa uma quebra relativamente aos valores alcançados 2008: 342 milhões de euros.

Nas 12 economias consideradas, estas empresas investiram 22 mil milhões de euros em 2013, com as empresas alemãs a liderarem o processo. Os investimentos das empresas portuguesas em I&D incidiram sobretudo nos produtos, nos processos, no marketing e na sua própria organização. E, confirmando esta tendência do tecido empresarial português, as empresas nacionais em que incidiu o estudo seguem este padrão geral.