Pescanova inicia plano de reestruturação

12 JUNHO 2014
Os tribunais aprovaram recentemente a proposta de recuperação apresentada pela Pescanova que confirmou a sua saída da situação de concurso de credores.

A sentença do tribunal acorda a suspensão da administração de insolvência, com a administração da Pescanova a recuperar as suas “plenas faculdades” de gestão e representação. O órgão executivo da multinacional pesqueira refere que a suspensão da situação de insolvência abre uma “nova fase no processo de recuperação da normalidade do funcionamento do grupo, que culminará na criação da Nova Pescanova”.


O conselho de administração reiterou que, durante os próximos meses, serão implementadas as ações necessárias para cumprir com o plano aprovado pelos credores, entre as quais, e com carácter imediato, a reestruturação da maior parte das filiais espanholas do grupo. Foi formada uma Comissão de Vigilância, com representantes dos principais credores, da própria empresa e dos administradores de insolvência, que ajudará ao processo de transição até que a Nova Pescanova esteja definitivamente constituída e operacional.


A banca credora deseja que o responsável da Deloitte que administrou a Pescanova durante o processo de insolvência, Senén Touza, seja o diretor da futura Nova Pescanova. Jacobo González Robatto, presidente do conselho assessor internacional do Banco Popular, foi, por sua vez, nomeado por unanimidade presidente da Comissão de Vigilância, perfilando-se, também, como um potencial futuro presidente da Nova Pescanova caso a banca mantenha uma posição dominante no seu capital.


Os próximos passos a dar pela Comissão de Vigilância serão a solicitação da insolvência das filiais espanholas da Pescanova, com exceção de duas, Hasenosa e Insuiña. O plano de ajustes colocado em prática resultou, até ao momento, na eliminação de 1.353 postos de trabalho, 12% do total dos seus recursos humanos. Este ajuste foi implementado durante a presidência de Juan Manuel Urgoiti, antes da banca credora assumir o controlo do grupo.Fontes próximas do processo admitem que aqueles cortes podem ter sido apenas o início do processo e que delicada situação financeira da empresa obrigará a um novo ajuste.


A multinacional galega comunicou à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola que no fecho das contas do primeiro trimestre tem um património líquido negativo de 2.256 milhões de euros, com as vendas a caírem 26%, para os 206 milhões, e as perdas a totalizarem 16,9 milhões de euros. O principal problema da Pescanova é o pagamento da dívida e, de acordo com os dados recolhidos nas últimas contas anuais, os gastos financeiros elevaram-se, nos últimos dois anos, aos 482 milhões de euros. Os compromissos financeiros a 31 de dezembro de 2013 totalizavam 3.375 milhões de euros, apesar dos credores terem acordado um perdão de mais de 60%.