África ultrapassa Ásia no consumo de cerveja

7 JULHO 2014
O continente africano irá ultrapassar o asiático como o mercado de maior crescimento no consumo de cerveja nos próximos cinco anos. De acordo com um estudo do Rabobank, devido à ligeira quebra na taxa de crescimento dos BRIC’s e dos países asiáticos, África será a próxima grande oportunidade para as empresas cervejeiras, realidade sustentada no rápido desenvolvimento económico, crescimento da população e do rendimento disponível nesta região.

Ao longo dos últimos anos, as empresas cervejeiras originárias dos mercados maduros têm vindo a investir nos mercados emergentes. O seu destino preferencial tem sido os BRIC’s e a Ásia mas, à medida que estas economias amadurecem, as suas taxas de crescimento descem. Tendo em conta os desenvolvimentos económicos e demográficos, acreditamos que África será o continente com a maior taxa de crescimento no consumo de cerveja nos próximos cinco anos”, comenta François Sonneville, analista do Rabobank.

África deverá observar o maior aumento da população com idade legal para o consumo de cerveja até 2018. Em contrapartida, na Europa Ocidental e na América do Norte, o decréscimo cumulativo, desde 1998, no consumo de cerveja é de 5% e 10%, respetivamente, o que potencia a sobrecapacidade das cervejeiras locais. Globalmente, o consumo per capita de cerveja deverá aumentar, à medida que os mercados mais maduros emergem da recessão, mas a maior disponibilidade de rendimentos tem um maior impacto no padrão de consumo dos mercados emergentes do que dos mais maduros, devido ao elevado preço desta bebida. Por exemplo, na Tanzânia, um trabalhador médio tem de trabalhar cinco horas para ganhar o equivalente a uma cerveja, enquanto nos Estados Unidos da América apenas precisa de trabalhar 15 minutos. Nesse sentido, a melhoria da economia norte-americana dificilmente terá um grande impacto no consumo de cerveja.

Em África, a cerveja é, ainda, uma categoria emergente que ganha cada vez mais adeptos. Mas, para além da oportunidade, acarreta também desafios para as empresas cervejeiras, nomeadamente as tensões religiosas observadas em alguns países que restringe o consumo de bebidas alcoólicas.

Para já, a exportação é uma estratégia adequada para explorar as oportunidades deste imenso mercado, utilizando as infraestruturas de abastecimento existentes, sem que se tenham de fazer grandes investimentos de capital. Mas, o Rabobank sugere que as cervejeiras considerem, a dado prazo, a produção local, para reduzir os custos de transporte e se tornarem menos expostas às voláteis taxas aduaneiras, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade da sua imagem sendo percecionadas como um produto local.

O mercado africano de cerveja é dominado, atualmente, pela SABMiller, Castel, Diageo e Heineken, que detêm uma quota conjunta a rondar os 90%.Para as cervejeiras nacionais, este mercado, e especificamente Angola, é estratégico. Segundo a APCV, representa cerca de 60% das exportações do sector. Isto apesar de a quota de mercado das cervejas importadas ser de 30% contra a posição dominante de 70% das cervejas angolanas.

A recente entrada da Cuca em Portugal veio colocar aquele país africano no centro da discussão em torno da cerveja. Nomeadamente, e ainda mais, com o delicado tema da nova pauta aduaneira que veio penalizar, e muito, a comercialização das cervejas importadas em território angolano. Proteção da produção nacional advogam uns, lobby e defesa de interesses alegam outros, mas certo é que a nível da produção local há uma enorme vontade em passar de país importador de cerveja a país exportador. Como recentemente declarou Philippe Frederic, administrador do grupo Castel, “a Cuca tem qualidade e capacidade suficiente para exportar para os mercados dos países de língua portuguesa, o que vai fazer com que Angola se torne exportador em vez de importador de cerveja”.

Leia mais sobre este tema na edição n.º 27 da Grande Consumo.